PARA QUANDO A DIGNIDADE PARA O ÚNICO MONUMENTO NACIONAL EXISTENTE EM ALCÂNTARA?

056Pela primeira vez trazemos a este blog a situação da Capela de Santo Amaro, construida no seculo XVI ( 1549) e classificada como monumento nacional.
Esperámos durante estes três anos e meio que os responsaveis DSC03922 autarquicos pudessem ajudar a criar um movimento de opinião e consciência civica e cultural que pudesse  pressionar os principais responsaveis  a dignificarem a capela e o seu espaço envolvente, que neste caso são os institutos DSC03923de preservação do património cultural e o próprio Ministério da Cultura.
Também registámos alguma passividade  dos responsáveis da Igreja de Alcântara.
relevo a esta Capela é dado uma vez por ano,  no periodo das DSC03928festas da Romaria de Santo Amaro, realizadas no mes de Junho. E por aí se tem ficado.
E este é para nós mais um motivo que faz empobrecer a memória e a história rica de Alcântara e alimenta a ideia de um certo abandono da freguesia.
DSC03912Deixamos um texto da autoria de Catarina Oliveira, tecnica do IGESPAR, precisamente sobre a Capela. A saber:
 “Implantada numa colina 054sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro foi edificada em 1549, conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo. O projecto desta ermida de planta centralizada, única na 041cidade de Lisboa, é atribuído a Diogo de Torralva (MARKL, PEREIRA, 1986; MOREIRA, 1995; SERRÃO, 2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.
Templo de peregrinação, a fundação da capela dedicada ao santo milagreiro está envolta em lendas, não se sabendo ao certo 037se a sua instituição se deve a um grupo de marinheiros galegos ou a uma confraria instituída no local em 1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. João III (CORTEZ, 1994, p. 856).
Na verdade, a Capela de Santo Amaro destaca-se pela singular, e erudita, estrutura centralizada, composta por “(…) dois cilindros secantes de inspiração serliana, a que se agrega uma original galilé de planta semicircular 045(…)” (CORREIA, 1991). Espaço ímpar no  no pano rama arquitectónico português, este templo terá sido inspirado numa gravura do tratadista Sebastiano Serlio, que representa o mausoléu dos Crescenzi, na Via 034Appia, em Roma (MOREIRA, 1995, p. 352).
A par com a capelinha de Bom Jesus de Valverde, em Évora, e a capela do Paço de Salvaterra de Magos, é um dos poucos espaços religiosos quinhentistas a 17044851explorar a planta centralizada, que voltará ao panorama arquitectónico português apenas na segunda metade da centúria seguinte.
O núcleo da estrutura é o espaço circular do oratório, envolvido em 047metade da sua área pela galilé semicircular, que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto, a pequena capela-mor, também cilíndrica.
Aberta por uma arcada de cinco vãos, dois dos quais são cegos, a galilé é coberta por abóbada de nervuras abatida, com fechos decorados com símbolos alusivos ao santo padroeiro, cruzes de Cristo, florões e estrelas. Os três arcos principais foram fechados, no século XVIII, com portões de DSC03920ferro forjado.
As paredes deste espaço estão totalmente revestidas por azulejos polícromos tardo-maneiristas, organizados em dois registos, cujas figurações centrais, alusivas a Santo DSC03926Amaro, são envoltas por ferroneries, putti, motivos de grutesco e pendurados. Nos vãos cegos da arcada foram erigidos dois altares de estrutura maneirista, em trompe l’oeil, executados em azulejo policromo.
O acesso ao interior é feito através de três portas, abertas na galilé, estando gravada sobre a porta principal uma inscrição alusiva à data de fundação da capela. A nave circular é coberta por cúpula semi-esférica com lanternim, possuindo coro-alto, ao qual se acede pelo terraço. Um arco de volta perfeita, sem qualquer decoração, abre para a capela-mor, também coberta por cúpula semi-esférica, que ao centro alberga retábulo de talha azul e dourada em estilo nacional. Contígua à capela-mor foi construída a sacristia.
Celebrada a 15 de Janeiro, a romaria de Santo Amaro era uma das mais concorridas da cidade, tendo sido realizada pela última vez em 1911. Com o advento da República, a ermida foi abandonada e saqueada, chegando a servir de carvoaria. Em 1927 foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR,I.P./ Setembro de 2007

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Uma resposta a PARA QUANDO A DIGNIDADE PARA O ÚNICO MONUMENTO NACIONAL EXISTENTE EM ALCÂNTARA?

  1. FQ diz:

    Atenção: “Para quando a dignidade para…

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