No final de 2011, durante o processo de discussão do Orçamento de Estado para 2012, o BE propôs uma verba para que fosse implementado em todas as Escolas da Rede Publica , um serviço de pequeno almoço a todas as crianças, mediante inscrição a ser feita pelas famílias dos alunos.
Na altura, a maioria PSD/CDS olhou para o lado, dizendo que esta necessidade não era verdadeira. O próprio PS não quis acompanhar o BE nesta exigência.
No mês de Março de 2012 foi lançada uma petição sobre este assunto, que recolheu em 3 dias as 4.000 assinaturas necessárias para levar o debate ao Plenário, e que entregou em Abril com cerca de 10.000 assinaturas.
Os cidadãos peticionários, entre os quais o eleito do BE em Alcântara, foram recebidos por vários partidos e pela Comissão Parlamentar de Educação, onde expuseram os motivos da petição, tendo fornecido muitos dados e informações que provaram a necessidade desta medida.
Em 18 de Maio , a petição foi debatida o Plenário da Assembleia e praticamente todos os partidos reconheceram a necessidade deste programa chegar às escolas, para além da saudação fizeram á iniciativa cidadã.
Nesse debate o PSD informou que o governo vai implementar um projecto experimental. A oposição falou da urgência desta medida, pois as situações de fome estavam a aumentar de dia para dia, decorrentes até da situação social grave e do desemprego que o País atravessa..
O BE, pela voz da deputada Ana Drago, sublinhou a evolução dos partidos da maioria e do próprio PS, que finalmente vieram dar razão ao BE.
Ana Drago foi mais longe e apresentou um inquérito, a que muitas escolas responderam, que mostram a importância desta medida chegar com urgência às escolas e que aqui reproduzimos, juntamente com a nota à imprensa enviada nesse mesmo dia 18 de Maio
RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO SOBRE
‘PROGRAMA PEQUENO-ALMOÇO NA ESCOLA’
O Bloco de Esquerda há vários meses que alertou para esta situação dramática de fome nas escolas, logo no inicio do ano letivo. Foi nesse sentido que no âmbito do Orçamento do Estado propusemos o Programa Pequeno-Almoço na Escola. Na altura a maioria parlamentar não acolheu esta ideia, mas a mesma foi fazendo o seu caminho e várias vozes na sociedade portuguesa permitiram o consenso que hoje existe em torno da urgência de uma resposta social deste tipo. Aquilo que parecia constituir uma situação pontual rapidamente se verificou ser a dramática realidade de uma grande parte das escolas do nosso país.
Após várias iniciativas legislativas de implementação de um Programa de Pequeno-Almoço na Escola, no sentido de garantir que nenhuma criança começasse o dia de aulas em jejum, o Bloco de Esquerda resolveu questionar as Escolas sobre a capacidade de implementar um programa deste tipo.
Quisemos conhecer a capacidade de distribuição desta refeição, os recursos disponíveis nas escolas para o fazer, a necessidade que as escolas sentiam e, finalmente, perceber se esta iniciativa era entendida como eficaz na resolução deste problema.
Os resultados deste inquérito são bem demonstrativos de como as escolas há já algum tempo que identificaram esta realidade, algumas inclusivamente já desenvolvem esta iniciativa. Dos mais de 120 agrupamentos que nos responderam, envolvendo mais de 145 mil crianças, os resultados apontam a urgência do Pequeno-Almoço na Escola, sendo que para tal é necessário garantir os meios necessários às escolas para o implementar.

Os resultados demonstram que em mais de 85% dos agrupamentos que nos responderam existem alunos que iniciam o dia de aulas em jejum, e que 79% considera que esta situação se tem vindo a agravar no atual contexto de crise económica e social.
Os resultados demonstram também que 80% dos agrupamentos considera que o programa pequeno-almoço na escola responderia a esta situação. No que diz respeito às formas de acesso ao Programa, é curiosa notar que a opção com menor adesão por parte dos agrupamentos é “Beneficiários da Ação Social Escolar”, pois já reconhecem que este seria um acesso muito restrito que não corresponde à realidade em causa, sendo a “Sinalização por Direção de Turma” a que colhe maior simpatia com mais de 80%.
Relativamente às dificuldades encontradas, os resultados demonstram que mais de metade não vê impedimentos à implementação deste programa, sendo que de entre as dificuldades identificadas, a que diz respeito à “Falta de pessoal” é a que mais preocupam os agrupamentos, com 90% destes a dar esta resposta.